Rio Grande do Sul registra terceiro maior número de afastamentos do trabalho envolvendo saúde mental

Em 2024, foi um dos estados brasileiros com mais afastamentos por questões psicológicas, com 37 mil

O Rio Grande do Sul é o terceiro estado com o maior número de afastamentos do trabalho causados por questões mentais, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social. Com 37.004 afastamentos em 2024, o estado ficou atrás apenas de São Paulo, com 125 mil casos, e de Minas Gerais, com 65 mil. De acordo com o levantamento, as prnicipais causas para os afastamentos foram a depressão e a ansiedade com, respectivamente, 10 mil e 7 mil casos registrados.

Segundo a psicóloga e psicanalista Mônica Parreiras, a pandemia já havia afetado o Rio Grande do Sul e o Brasil como um todo, porém, as enchentes ocorridas no último ano pioraram a situação dos gaúchos. “Depois que passa o susto e o trauma, começam a vir as consequências, sendo essa a carga que hoje a gente vê como ansiedade, que é o grande sintoma do momento”, explicou Parreiras. Os dados apresentados corroboram com essa afirmação, demonstrando que, juntando todos os estados do Brasil, o sintoma que lidera a lista de afastamentos é a ansiedade com 141 mil casos.

A psicóloga e psicanalista Mônica Parreiras observou que a pandemia e as enchentes ainda estão causando danos significativos ao trabalho. Lorenzo Mascia/BETA REDAÇÃO

“Nós somos algoritmos”

Parreiras acrescentou que atualmente enxerga um hiperfoco no trabalho: as pessoas têm cada vez menos hobbies e estão sempre trabalhando, mesmo não sendo uma necessidade eminente. “As pessoas estão cada vez mais focadas em ganhar dinheiro pelo trabalho e acabam não tendo um tempo de lazer pra si mesmo e para suas famílias. Nós viramos algoritmos”, pontuou.

É importante ressaltar que nem sempre a depressão no trabalho pode ser facilmente notada, como é o caso da chamada “depressão agitada”. “Essa pessoa geralmente dá conta de tudo e, no fundo, ela não está bem. Se ocupar demais acaba sendo uma forma de não entrar em contato com essa depressão”, contextualiza a psicóloga. “É importante entender o caso de cada pessoa em específico antes de tomar uma ação, pois existem as pessoas que chegam triste ou irritadas no trabalho, mas também há aqueles que não dão sinais”,  complementa.

Para reverter o cenário, recentemente foi anunciada uma nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em 26 de maio de 2025. A norma irá obrigar as empresas brasileiras a incluírem a avaliação de riscos psicossociais na gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Na visão da psicóloga, este é um grande avanço. “Pode ajudar na prevenção”, ressalta.

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