Atenção! Tenha muito cuidado se seu filho menor de 16 anos pedir para ver Anora, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2025. A obra começa com tudo, são diversas cenas e cortes de muita curtição, drogas, nudez e erotismo. Tudo isso envolto em uma coloração avermelhada para deixar o tom picante mais evidente ainda. Não posso negar que fiquei bem desconfortável no cinema durante os primeiros minutos de filme com tamanha sexualidade e cortes rápidos na montagem.
Anora, nome da personagem principal estrelada por Mikey Madison, estreou em maio de 2024, mas chegou ao cinema brasileiro apenas em 23 de janeiro de 2025. Confesso que pouco havia ouvido falar sobre Anora até o seu lançamento no país, mas as premiações de Melhor Filme, Atriz, Direção, Roteiro Original e Montagem na cerimônia do Oscar 2025, além das diversas indicações para o Globo de Ouro, Festival de Cannes e BAFTA, me obrigaram a correr ao cinema para assistir.
Fiquei refletindo quando vi o trailer do filme dirigido por Sean Baker. Como pode um “clichê” em que um milionário russo se apaixona por uma dançarina erótica estadunidense ter chegado tão longe no Oscar? Mas é claro que, depois de assistir, se entende o motivo. A abordagem do filme vai muito além, por exemplo, demonstrando como as pessoas extremamente ricas têm a capacidade de fazer o que quiserem para alcançar seus objetivos.
Depois de todo o desconforto inicial, momento em que Anora e Nikolai Zakharov (o filho do oligarca russo) se conhecem, o roteiro se transforma completamente quando a família russa descobre todo o rolo entre o casal proibido. É nesse momento que a intensa mudança de cenas se acalma para dar lugar a interações mais longas e a uma câmera que acompanha os personagens.
Igor, personagem interpretado por Yura Borisov, indicado a Melhor Ator Coadjuvante no Oscar, entra em cena como um dos capangas com a tarefa de acabar com o relacionamento da dançarina erótica e do milionário russo. O personagem foi capaz de proporcionar leveza e comédia ao filme a partir de então. Foram diversos momentos constrangedores entre os dois que me levaram às gargalhadas no cinema.
A vencedora de Melhor Atriz do Oscar, Mikey Madison, 25 anos, teve um papel extremamente difícil. Anora, personagem principal, aparece a todo momento nas 2 horas e 19 minutos de filme, desde as danças eróticas e cenas de sexo, até a comemoração de casamento, lutas contra os capangas da família russa e, claro, muito sofrimento durante o processo. Foi excepcional. Mikey basicamente deu vida à trama e superou todos os desafios de uma atuação versátil.

Eu ainda preciso fazer uma menção especial para a direção e a direção de arte de Anora em relação à exploração do tema “riqueza”. A escolha da casa de Nikolai Zakharov foi especialmente feita para mostrar o quão rica sua família é. A mansão tem diferentes andares e, através de cenas sutis, o diretor foi mostrando uma televisão que subia da mesa, um elevador, uma casa cheia de empregados, uma vista magnífica de Nova York, entre outros. A principal reflexão que o filme me deixou foi em relação ao poder de uma família milionária. Na obra, tudo é possível com o dinheiro, desde contratar uma namorada, até acabar com a loja ou complicar o emprego de uma pessoa para arrancar uma informação dela.
O filme é excelente e garanto que vai te deixar com diversas reflexões. Recomendo assistir com alguém ao lado para que possam ficar debatendo depois. Dou todo reconhecimento e crédito a Anora, mas, como brasileiro, confesso que fiquei mais marcado por Ainda Estou Aqui.