A música é um elemento vivo e mutável que pode se transformar e ganhar novas roupagens. Quem comprovou isso recentemente foi Melly, artista emergente que apresentou em fevereiro o volume 2 de Amaríssima, seu álbum de estreia lançado em 2024. As músicas do disco foram remixadas e ganharam novas sonoridades. O estilo sensual que mistura pop, R&B e soul, que já é característico da cantora, foi incorporado com nuances diferentes trazidas pelas colaborações de peso como Liniker, Duda Beat e Karol Conká, que tiveram a liberdade de complementar a obra a partir de suas perspectivas e ritmos.
Depois de participar de álbuns importantes lançados recentemente, como CAJU, da Liniker, O Mundo dá Voltas, do BayanaSystem, e DLRE, do BK, era esperado que a artista baiana apresentasse um novo disco de canções inéditas. No entanto, Melly surpreendeu ao ressignificar seu próprio trabalho, mostrando que o que já é bom, pode sim melhorar.
Em Derreter & Suar – Remix, Duda Beat e Nave trouxeram a animação da pisadinha e uma batida envolvente. As vozes das cantoras se complementam tanto, que parece que a melodia foi feita originalmente para duas intérpretes.
Já para o remix de Bye Bye, Melly escolheu trabalhar com a Nova Orquestra e, mais uma vez, a escolha foi assertiva: o arranjo ficou ainda mais misterioso, profundo e triste na medida certa, bem no mood de término de relacionamento.
No dicionário, Amaríssima é o superlativo de amargo, que para a cantora simboliza o sabor do amadurecimento. A habilidade de apresentar um trabalho novo, mas manter a própria essência, demonstra que ela de fato alcançou esse lugar de maturidade, mesmo tendo apenas 23 anos.
Amaríssima V2 (Remix) é um álbum interessante e rico. A pluralidade que Melly reafirmou ter nesse disco comprova que ela é muito mais do que uma artista pop e deixou uma expectativa ainda maior para quando lançar seu próximo trabalho de músicas inéditas.