O Rio Grande do Sul fechou 2024 com o maior número de contratações de migrantes no mercado formal de trabalho. Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), disponíveis na plataforma do Observatório das Migrações Internacionais (ObMigra), o saldo foi de 9.717 trabalhadores empregados, um aumento de 31% em relação a 2023. No período, foram registrados 48.535 contratações e 38.818 desligamentos.

O setor da Indústria lidera o número de admissões, tendo absorvido 54% dos trabalhadores. Conforme o chefe da Seção de Informação e Pesquisa da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Juliano Florczak Almeida, isso se deve, em especial, à demanda dos frigoríficos. “Hoje, 20% dos vínculos formais de migrantes internacionais no Estado estão no abate de aves, suínos e bovinos. É um setor chave para nossa indústria, mas que apresenta dificuldade para conseguir mão de obra”, ressalta.
O cenário trazido por Almeida ajuda a explicar também o crescimento das contratações de migrantes em cidades do interior. Caxias do Sul, Erechim, Passo Fundo e Marau – importantes centros industriais gaúchos –, concentraram 48% do saldo de trabalhadores, enquanto os 34 municípios da Região Metropolitana somaram cerca de 13% dos postos.

Entre as nacionalidades, destaque para os venezuelanos que ocupam 6.869 postos de trabalho (71%) e os argentinos, que somam 1.213 vagas (12%).
Mulheres migrantes no mercado de trabalho
Outro resultado importante foi o aumento do trabalho laboral feminino, que alcançou 4.004 novas vagas ante as 2.618 de 2023, uma expansão de 27%. Segundo a assistente de Relações Humanas do Setor Sociolaboral do Centro Ítalo-Brasileiro de Assistência e Instrução às Migrações (CIBAI Migrações), Anna Penna, é um número a ser comemorado, visto as inúmeras barreiras que dificultam a inserção de mulheres no mercado de trabalho.
“Existe uma abertura das empresas para contratação feminina, mas além dos desafios linguísticos e de formação, elas precisam cuidar dos filhos. E falta uma rede de apoio, muitas vezes não conseguem creche para as crianças e não encontram vagas e horários que as auxiliem nessa dinâmica familiar”, explica. Em 2024, o CIBAI contribuiu para a contração de 261 migrantes, dos quais 62 eram mulheres.
