O caso do bolo envenenado, um desafio contra o sensacionalismo

Produzido em 40 dias, episódio do RBS.doc retrata a história que chocou a nação brasileira

O documentário O Caso do Bolo Envenenado marca a estreia do RBS.doc – programa da RBS TV com foco em grandes reportagens e assuntos de interesse público. Uma história que chama atenção pela quantidade de detalhes e reviravoltas. Sob a condução dos repórteres Cristine Gallisa e Vítor Rosa, o especial faz um mergulho profundo na investigação, com informações concisas sobre as vítimas, histórias das pessoas envolvidas no caso e a própria dinâmica do crime. Em entrevistas exclusivas, sobreviventes contam como foram os momentos após o envenenamento.

O documentário traz, em seu início, simulações objetivas que contribuem com o entendimento da história – SOFIA VILLELA/IGP

O interessante é o formato da obra apresentada. Além de ser um produto jornalístico, ressalta a abordagem cultural. E, quando falamos em cultura, há sentimentos, mensagens e valores na história. Durante seus 70 minutos, notam-se recursos visuais no cenário trazendo a complexidade de muitos detalhes. A captação de imagens dos cinegrafistas foram bem feitas. Fotos nas paredes e bilhetes com os principais acontecimentos revelam o tom e o empenho da equipe de produção. Além disso, em grande parte do documentário, são utilizadas cores frias e neutras. Até mesmo nos próprios figurinos usados pelos jornalistas. Elas simbolizam sensações mais introspectivas, como tristeza, depressão e passividade. O que combina com o conteúdo exibido.

Outro fator que chama atenção são a trilha sonora. No fundo de cada take, a produção utiliza sons de suspense simbolizando qual será o próximo “capítulo”. Até porque a história é recheada de reviravoltas. A humanização também é relevante. Pois mais do que expor detalhes da história e mergulhar nos crimes, analisa-se que a preocupação central é humanizar o documentário. Uma vez que, a partir das entrevistas, é contada a relação entre os integrantes da família dos Anjos.

Entre os maiores acertos, está o tom da condução da história. Havia uma chance enorme do sensacionalismo tomar conta. Até pelo fato da produção ser conduzida por um canal de televisão aberta. Entretanto, foi a sobriedade que obteve destaque. Mesmo a história sendo trágica, em nenhum momento a obra torna-se desinteressante. Há elementos curiosos que prendem o espectador do início ao fim.

Informações exclusivas

Conversei com o repórter Vítor Rosa, da RBS TV. Além de apresentar o documentário, ele conduziu as entrevistas e acompanhou a tragédia desde seus primeiros episódios. A condução apresenta equilíbrio emocional enorme para entrevistar as vítimas e seus familiares diante da complexidade do caso.

Tudo foi feito de maneira rápida. “O tempo que se decidiu fazer a obra até o momento em que entregamos o material foi muito curto. Isso tornou o assunto palpitante ao olhos da sociedade”, analisa. Ademais, Rosa teve acesso a muitas pessoas envolvidas no caso com exclusividade. O que mostra um acerto na escolha das fontes. “Entrevistamos, pela primeira vez, o médico que deu o primeiro atendimento à família e à dona Zeli. Tivemos acesso aos materiais da polícia e familiares que nunca imaginamos que dariam depoimentos. Isso consolidou nosso documentário”, concluiu o repórter.

Trata-se de uma obra bem estruturada. Para quem se interessou pelo caso desde a véspera do Natal (como eu) ou acordava pela manhã e pensava: qual será o novo capítulo (ou surpresa) de hoje? O que mais a Policia Civil descobriu? Indico assistir ao documentário da RBS.doc.

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