“Sing Sing”, o tesouro escondido do Oscar 

Esnobado da temporada de premiações, Sing Sing passa mensagem de superação

Filme independente produzido pela A24, Sing Sing foi uma grata surpresa para mim ao fazer a maratona dos indicados ao Oscar. Baseada na história real dos detentos que se reabilitaram através da Rehabilitation Through the Arts (Reabilitação através das Artes), organização fundada em 1996 na penitenciária de alta segurança estadunidense de mesmo nome que oferece workshops de teatro, música, dança, artes visuais, escrita e poesia. 

A partir da adaptação desse material sensível realizado em parceria com o ator coadjuvante Clarence Maclin, que faz ele mesmo no filme (e que deveria ter sido indicado na categoria de atuação) e outros roteiristas, o diretor Greg Kwedar conseguiu extrair poesia e reflexão sobre a importância de se dar uma segunda chance, destacando o papel da ressocialização e mostrando a resiliência e a redenção dos personagens. 

A história é redondinha com início, meio e fim. Apesar de utilizar o clichê do herói injustiçado ao centrar o filme na história de Divine G (Colman Domingo, indicado na categoria de melhor ator em várias premiações), um homem preso por um crime que não cometeu e que tenta provar a sua inocência há anos, o enredo é cativante e emocionante, já que ao mesmo tempo em que o filme mostra as injustiças do sistema prisional estadunidense, busca focar em mostrar a arte como uma ferramenta de escape e transformação em um local hostil. 

Foto: Divulgação/Diamond Films Brasil

Ao final descobrimos que todos os atores ali envolvidos interpretam a si mesmos, a não ser o ator principal, Colman Domingo, o ator Paul Raci, que faz o professor de teatro Brent Buell, e Sean San Jose, que interpreta Mike Mike. Isso traz uma carga emocional muito maior para a obra, já que vemos na prática que o programa de artes tem sim um impacto positivo na vida dos detentos que participam dele.  

Outro ponto que chama atenção na adaptação cinematográfica é a sua fotografia, pois ela brinca com a luz e as sombras, sabendo transmitir a sensação de confinamento ao espectador com cores mais frias, escuras e enquadramentos mais fechados, mas também de “liberdade” quando eles estão ensaiando e apresentando a peça, na qual as cenas são mais claras e com cores mais quentes mostrando que aquele local é o espaço seguro deles.   

Por fim, o filme foi indicado a três categorias no Oscar, melhor ator, roteiro adaptado e canção original, e, vale ressaltar, merecia ter sido indicado em outras categorias, como melhor filme e fotografia. Além disso, cumpre bem o papel ao qual se propõe: o de inspirar e emocionar o público através do processo de transformação pessoal dos presidiários. 

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